Programa: parte II



Caetano Veloso (1977)

Caetano Veloso - com sua vasta cabeleira, diga-se de passagem - fez uma participação especial em Os Trapalhões no final dos anos 70. O estranho é Renato Aragão dizer que solicitou a presença dele faz 5 anos levando a crer que ou ele deveria ter participado ao lado do grupo na TV Tupi ou que essa participação do cantor não foi em 1977, mas sim anos depois. Porém, o cenário realmente lembra os programas da Globo do final dos anos 70.

Na ocasião, Caetano Veloso cantou as músicas "Superbacana" (Do LP Caetano Veloso, de 1967, produzido pela Philips) e "A filha da Chiquita Bacana" (Do LP Caetano...muitos carnavais, de 1977, produzido pela Philips), sendo que a primeira foi um dueto voz e violão - junto com Renato Aragão - e a última foi ao lado de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias vestidos de filhas da Chiquita Bacana.

Renato Aragão ainda fez menção à música "O leãozinho" (Do LP Bicho, de 1977, produzido pela Philips) ao dizer a Caetano Veloso o motivo da insistência em trazê-lo ao programa: "gosto muito de você leãozinho...".

 



S.U.A.T. - Investigando as cartas (1979)

S.U.A.T. era o nome do grupo que investigava casos de "alta periculosidade" no Rio de Janeiro (Visível pelo mapa do município pregado no Quartel General da entidade) como, por exemplo, salvar um gatinho preso na árvore.

Na realidade, era uma paródia que Os Trapalhões fizeram do famoso seriado S.W.A.T. (sigla em inglês para Special Weapons and Tatics, que em português significa literalmente Armas e Táticas Especiais. Para a dublagem da Herbert Richers virou Comando Tático Especial e para Didi era Comando Tático Espacial), produzido de 1975 a 1976 e exibido inicialmente no Brasil pela TV Globo no final dos anos 70 e durante os anos 80. O curioso é que eram 5 os componentes do seriado original: os atores Steve Forrest, Robert Urich, Rod Perry, Mark Shera e James Coleman.

Neste quadro, a S.U.A.T. tenta desvendar qual a ligação existente entre as cartas enviadas por bandidos. Estas eram colocadas em uma caixa de correio.

Didi tem o azar de ficar com sua mão presa na caixa ao tentar retirar a carta. Os outros parceiros, através de picaretas, quebram a coluna da caixa de correio e levam Didi ao hospital. No caminho, o famoso triciclo da S.U.A.T. bate em um automóvel.

Já no hospital, o médico diz que vai cortar a mão de Didi e os amigos tem uma outra ideia - sem sentido, por sinal!: como não conseguiram tirar a mão de Didi do local, resolvem colocá-lo dentro da coluna.


Assista abaixo ao vídeo deste quadro

Personagem extra.

Curiosidades:

- É frequente a participação no programa Os Trapalhões dos anos 1970 de dois personagens extras que aparecem neste quadro. Infelizmente, não sei seus nomes.

- Participação especial do ator Edson França interpretando o médico.

- O último personagem extra - que aparece no hospital e Mussum lhe pergunta se foi nascido e criado na Mangueira - sofre uma piada preconceituosa por parte de Didi. Este último, ao vê-lo, pergunta aos companheiros se entraram no hospital ou no cemitério. Didi ainda o chama de coveiro em um diálogo ("O problema é que nós pedimos um médico e veio um coveiro").

- O quadro termina e deixa uma dúvida nos telespectadores: o que dizia de tão importante nas tais cartas que os bandidos se comunicavam?

Personagem extra.

O elefante (1981)

Os musicais eram comuns em Os Trapalhões. Nesta ocasião, apresentaram-se no programa o guitarrista Robertinho de Recife e a cantora Emilinha com a música "O elefante" (Do LP Satisfação, de 1981, composição de Fausto Nilo e do próprio Robertinho de Recife), que virou sucesso entre o público infantil da época.

Na apresentação da música, Didi faz acrobacias com um elefante trash utilizando como cobaias seus companheiros Dedé, Mussum e Zacarias.

Assista abaixo ao vídeo deste quadro

Curiosidades:

- O nome verdadeiro do guitarrista Robertinho de Recife é Roberto Cavalcanti Albuquerque. Fez fama nas décadas de 1970 e 1980 principalmente ao lado de outros famosos como Xuxa e Fagner. O começo da parceria com Emilinha - outra que se tornou famosa nos anos 1980 - foi em 1981 no LP Satisfação (Philips) e se estendeu ao LP Robertinho de Recife e Emilinha, de 1982 (Ariola).

- Em vídeos do Youtube é perceptível que as crianças que participaram deste musical eram sempre as mesmas em outras apresentações desta música em shows e programas de TV. Exemplo disso é este vídeo da música "O elefante" (Clique aqui), que mostra Robertinho, Emilinha e as crianças (Nesta apresentação só há três delas) na comemoração de 25 anos de Chacrinha como apresentador de TV (Nessa época - 1981 - estava na TV Bandeirantes).



A agência de puxar tapetes (1979)

Didi é dono de uma agência de puxar tapetes (leia-se: agência que faz os outros se darem mal). Organizou uma exposição de personalidades famosas que puxaram ou tiveram seus tapetes puxados por sua agência.

Segundo Didi, puxador de tapete é uma profissão. Para se qualificar é necessário entrar primeiro em um curso de chaleira e após estudar muito o indivíduo ingressa no vestibular de puxa-saco. Se for aprovado, após o término da faculdade recebe o diploma de puxador de tapete.

As personalidades que tiveram seus tapetes puxados foram:

- A cobra: puxou o tapete de Adão e Eva. Didi deu esse exemplo na exposição para revelar que sua agência é muito antiga. Foi a única que puxou o tapete de alguém e pode se inferir que ela foi treinada na agência de Didi.

- Elizabeth Taylor: de tanto puxar o tapete das amigas, a agência de Didi puxou o tapete dela com tanta força que seu ex-marido Richard Burton acabou caindo nos braços de outra mulher. [Elizabeth Taylor e Richard Burton casaram-se e divorciaram-se duas vezes. O primeiro casamento, iniciado em 1964, terminou em 1973. Já o segundo iniciou em 1975 e terminou em 1976. Após esse último divórcio, Burton se casou com Susan Hunt.]

- Pelé: estava na indecisão de se separar ou não. A agência de Didi puxou o tapete de Pelé e ele acabou se decidindo pela separação. [Didi faz referência ao casamento de Pelé com Rosemeri Cholbi, que terminou em 1978.]

- Richard Nixon: a agência de Didi puxou tão fortemente o tapete de Nixon que vários microfones escondidos apareceram no seu gabinete. [Didi faz referência aqui ao escândalo de Watergate que derrubou Nixon da presidência dos Estados Unidos em 1979.]

- Brigitte Bardot: foi uma das falhas da equipe de Didi. A sua agência mandou puxar o tapete dela e acabou puxando seu vestido.

- Idi Amin: foi o trabalho mais completo feito pela agência de Didi. Além de puxar o tapete dele, mandaram um substituto para o seu cargo: Mussum. [Idi Amin foi ditador militar de Uganda (País da África) de 1971 a 1979, sendo deposto pelo exército da Tanzânia com apoio dos ugandenses. Foi interpretado no cinema por Forest Whitaker no filme "O último rei da Escócia" (2006).]


Assista abaixo ao vídeo deste quadro

Curiosidades:

- Para entender o quadro é necessário saber o significado de algumas expressões do português falado no Brasil. Puxar o tapete é prejudicar uma pessoa, agir de maneira traiçoeira. Já chaleira e puxa-saco são sinônimos. Ambas significam bajulador.

- Outras personalidades se faziam presentes em quadros da exposição. Uma delas é o ex-presidente Deodoro da Fonseca. Quem teria puxado o tapete dele?

- O ator que Didi conversa é Átila Iório (1921-2002), famoso por seus personagens no filme Vidas Secas (1963) e na telenovela Escrava Isaura (TV Globo, 1976).

A zebra no bar (1979)

Didi está passando manteiga no pão - quer dizer, fora do pão! - e Mussum diz a Zacarias que do hotdog só tem o hot, pois o dog estava em falta, quando de repente aparece uma zebra no bar.

O tal animal fala e pede um uísque - Didi lhe traz também um tira-gosto: pipoca. Dança em seguida até se irritar quando Dedé lhe mostra o valor da conta: Cr$ 1800 (Mil e oitocentos cruzeiros).


Assista abaixo ao vídeo deste quadro

Curiosidades:

- O quadro faz referência à zebra da loteria esportiva do programa Fantástico, criada em 1975 pelo falecido cartunista Borjalo. Inclusive, a voz dela neste quadro é a mesma da zebrinha da loteca: a da dubladora Mara Lisi. A zebrinha foi dublada também pelo locutor Pedro Braga.

- A música que Didi põe para a zebra dançar se chama D.I.S.C.O. do grupo francês Ottawan (Na verdade, era uma dupla formada pelos cantores Jean e Annete, ambos nascidos na pequena ilha da Martinica, uma possessão francesa situada no Caribe), lançada em 1979 no álbum "D.I.S.C.O.".

- Didi menciona também neste quadro a cena de sexo com manteiga entre Marlon Brando e Maria Schneider no filme "O último tango em Paris" (1972).

O vidente (1978)

Didi se apresenta a Dedé, Mussum e Zacarias como o astro. Revela a eles que é capaz de adivinhar o presente, o passado e o "faturo"; adivinha as pessoas, quem é, quem não foi e quem tem vontade de ser.

Para provar que é vidente, Didi indaga um a um seus companheiros sobre quem é careca (Zacarias), quem usa cueca samba-canção (Dedé) e quem roubava galinha na Mangueira (Mussum).

Na prova final, Didi traz uma bacia com água - na realidade, segundo Didi, trata-se de suor de sovaco de calango (tiú?) - com a intenção de adivinhar a personalidade de cada um dos seus companheiros. Dentro dela coloca um fio de cabelo de Zacarias (O de Mussum não servia porque o dele estica e encolhe e o de Dedé não serviu também porque este não permitiu que tirasse) apesar de que ao puxá-lo veio nas mãos de Didi a peruca dele. E por fim, uma vela, concentração e algumas palavras sem sentido (jabaculê uba, eila uh, uh, cof, cof, cof) e a pergunta mágica: "quem sou eu, ô grande mestre iluminado?" E a resposta: "três palhaços molhados" (Didi bate na bacia e molha os três).

Curiosidades:

- "O astro" era o nome da telenovela produzida pela TV Globo em 1978, tendo como protagonista o vidente Herculano Quintanilha - o astro -, interpretado pelo ator Francisco Cuoco (Para Didi, é Chico Choco). Integravam ainda o elenco principal os atores Tony Ramos, Elizabeth Savala e Dina Sfat.

- Didi menciona várias vezes um tal caderno dos Trapalhões que, segundo ele, eram os três livros que estavam nas mãos de Dedé, Mussum e Zacarias. No entanto, não é possível visualizar que figura está na capa dos mesmos. Terá existido mesmo esse tal caderno?
UPDATE: O visitante Claudio Rogério dos Santos afirmou em e-mail que o caderno dos Trapalhões realmente existiu. Segundo ele, era um caderno grande de matérias que era comercializado nas décadas de 1970 e 1980.

A cena do tubarão (1978)

Didi é um diretor de cinema e deseja filmar na praia uma cena do seu novo filme: Tubarão.

O ator responsável pela cena deve fugir do animal gritando a frase "Olha o tuba!". O ator questiona o motivo de dizer "tuba" em vez de gritar o nome do animal inteiro e Didi responde que isso não será possível: o animal já terá engolido o ator antes que ele mencione a palavra tubarão completamente.


Assista abaixo ao vídeo deste quadro

Curiosidades:

- O quadro faz referência ao filme "Tubarão II" (1978), sequência da primeira e famosa produção de 1975 do diretor Steven Spielberg.

- Participação especial do ator João Carlos Barroso.

- Interessante neste quadro é que Zacarias participa apenas como um figurante. Não diz nada em momento algum. Apenas ri do diálogo entre Didi e o ator.

- O tal "Mário Goma", a que Didi se refere, é o ator Mário Gomes. Ele e o ator João Carlos Barroso integravam em 1978 o elenco da telenovela "O pulo do gato", da TV Globo. Ambos fizeram muito sucesso com o público feminino da época.




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