O Mundo Mágico dos Trapalhões

 

O MUNDO MÁGICO DOS TRAPALHÕES (1981)

   

Renato Aragão, Dedé Santana, Antonio Carlos "Mussum" e Mauro Gonçalves "Zacarias".

   

Participações especiais: Chico Anísio, Caetano Veloso, Millôr Fernandes e Roberto D'Avilla.

Sinopse: Em comemoração aos 15 anos de existência do grupo, um documentário é realizado contando a trajetória dos Trapalhões desde o nascimento de cada um dos quatro humoristas até o ano de 1981.

Ficha técnica:

- Direção: Silvio Tendler.

- Produção: Renato Aragão Produções e Paulo Fernando Pijnappel.

- Elenco: Renato Aragão, Dedé Santana, Antonio Carlos "Mussum" e Mauro Gonçalves "Zacarias". Participações especiais: Caetano Veloso, Millôr Fernandes, Roberto D'avilla, Hildergard Angel.

- Argumento: Paulo Aragão Neto

- Roteiro: Silvio Tendler e Claudio Bojunga.

- Texto: Claudio Bojunga.

- Narração: Chico Anísio.

- Fotografia: Fernando Duarte.

- Still: Romulo Fritscher.

- Montagem: Francisco Sérgio Moreira.

- Som: Cristiano Maciel.

- Direção de estúdio: L.C. Varella.

- Assistente de direção-estágio: Paulo Fernando Pijnappel.

- Assistente de câmera: Ademir Silva.

- Assistente de montagem: Regina Martinho da Rocha.

- Produção executiva: Paulo Aragão Neto.

- Jornalistas: Carmen Pereira e Rita Furtado

- Música: Caxa Aragão, Papito e Fábio.

- Eletricistas: Walter Pinheiro, Hilmo, Beto, Haroldo.

- Duração: 88 min.

 

Público: 2 milhões e 500 mil espectadores*

(*Dados da Embrafilme S.A.).

 

Curiosidades:

- A narração foi feita pelo comediante Chico Anísio.

- Este documentário foi primeiramente exibido em julho de 1981 para jornalistas e atores famosos da TV Globo durante as comemorações dos 15 anos dos Trapalhões.


- Segundo o documentário, a distribuidora 20th Century Fox Films inseriu muito estrategicamente no Brasil o filme "Hardly Working" (1981), protagonizado por Jerry Lewis, com o nome "Um Trapalhão Mandando Brasa", fazendo assim uma alusão ao quarteto e pegando gancho no sucesso dos Trapalhões. Com certeza muita gente desatenta foi ver este filme pensando ser um do quarteto.

  

- As três imagens acima são de quadros do programa "Os Insociáveis", da TV Record em 1973. Os integrantes do grupo eram Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Roberto Guilherme.

- Imagens do primeiro programa Os Trapalhões na TV Globo são exibidas aqui. O curioso é que aparece uma legenda dizendo equivocadamente que este primeiro programa na emissora fora exibido em 1976 quando na verdade se sabe que foi em 1977. O grupo foi contratado no final de 1976 e dois especiais foram produzidos e exibidos no início de 1977: um em 07 de janeiro e outro em 05 de fevereiro. Após isso, o quarteto estrearia na Globo em 13 de março de 1977.

- Aparecem juntos Caetano Veloso e o seu filho, Moreno Veloso. Anteriormente, em um quadro do programa Os Trapalhões em 1977, Renato Aragão havia mencionado o nome do garoto perguntando a Caetano se o Moreno estava bem. No documentário, Caetano Veloso e seu filho assistem a este quadro na TV (Veja-o clicando aqui).

- Aparecem também imagens dos irmãos Dedé e Dino Santana interpretando, respectivamente, os personagens Maloca e Bonitão em um de seus primeiros filmes: "Os desempregados" (1969).


- Durante a exibição de imagens do filme solo de Renato Aragão chamado Bonga, o vagabundo (1969), aparece na parede imagens de jogadores da Seleção Brasileira que seria tricampeã na Copa do Mundo de 1970 no México. Os atletas em questão são Piazza e Clodoaldo.


- De acordo com o documentário, Mauro Gonçalves foi o último artista a assinar contrato com a TV Excelsior. A emissora decretaria falência em 1970, depois de um incêndio em 1969 e de anos sendo perseguida por elementos da Ditadura.

- Também segundo o documentário, o seu personagem Zacarias é baseado em um personalidade real e muito popular em Sete Lagoas, sua cidade natal em Minas Gerais.

- Millôr Fenandes fez uma previsão sobre Renato Aragão. Ele teria o mesmo espaço cultural e humorístico que o mexicano Cantinflas (1911-1993) tinha no México. E lamenta, comicamente, que os Trapalhões jamais serão tão engraçados quanto o Ministério do presidente João Baptista Figueiredo.


- A antiga casa de Renato Aragão (O trapalhão morou nesta casa durante três anos apenas), na Granja Comary em Teresopólis (Estado do Rio), foi cenário do filme Os três mosquiteiros Trapalhões (1980). Foi, segundo ele, propriedade da família Guinle. Durante o documentário, Renato Aragão concede neste local uma entrevista a Roberto D'Ávilla. A Granja Comary é muito famosa por ser o local de treinos da Seleção Brasileira de Futebol.

- Após o espetáculo de futebol em uma quadra lotada de crianças, o documentário corta para o banho dos Trapalhões. Nesse momento, Mussum se vira para falar com Renato Aragão e, já com a cueca arriada, exibe a bunda para a câmera em um momento nada agradável para o público masculino.


- Uma das partes mais interessantes é quando Renato Aragão faz comentários sobre a censura - que, inclusive, havia sido extinta dois anos antes - e se ele é racista. Aragão se defende e diz que é ele quem sofre preconceito por fazer humor popular, ter vindo de baixo e ser do Nordeste. Diz ainda que "São poucos negros que fazem sucesso na televisão". Ao ser indagado sobre racismo no programa e nos filmes, Mussum diz que o humor dos Trapalhões é racista sim. Mas logo se vê que o cômico não dá muito importância a isso e até brinca: "É racista sim. Só tem eu de crioulo lá. Tem que ajudar a botar mais crioulo aqui." Um balde de água fria no pessoal da patrulha do politicamente correto.

- Durante a gravação de um quadro de 1981 do programa Os Trapalhões, em que Dedé apresenta uma cadeira que apita quando alguém mente ao sentar nela, mencionam que Mussum foi cabo da Aeronaútica. A história é real. Mussum foi cabo durante oito anos até largar de vez para se dedicar ao samba e ao humor. No entanto, a história ficou.

- Dedé explica que ele, Mussum e Zacarias tem uma firma chamada DEMUZA. Isso já em 1981! Quando o grupo se separou em 1983, foi esta firma que produziu o filme Atrapalhando a SUATE e, com o retorno do quarteto em 1984, passou a co-produzir os filmes do grupo junto com a Renato Aragão Produções. E eu que pensava equivocadamente que a DEMUZA passou a existir mesmo só em 1983.

- O documentário funciona como um registro histórico de um pouco do cotidiano dos cariocas no início dos anos 1980. Por exemplo, mostra os habitantes indo de um lado para outro num vai e vem constante e típico das grandes cidades; os ônibus antigos; uma vista aérea dos edíficios próximos à faixa litorânea; o público lotando teatros e cinemas para assistir um espetáculo ou filme dos Trapalhões.

- Pela imagem da fachada do cinema, o último filme em cartaz dos Trapalhões era O incrível monstro Trapalhão (1980). As sessões eram ao meio-dia, às 16 horas, às 18 horas, às 20 horas e a última às 22 horas. São velhos tempos em que os cinemas não eram nos shoppings centers, mas sim nas "ruas" (Teatros, palácios, salões etc.), fato esse que popularizou o termo cinemas de rua.

- O documentário revela imagens dos bastidores das gravações do filme Os saltimbancos Trapalhões, inédito naquela época (Foi lançado só no final de 1981). Apresenta-se ao público que o longa terá cenas gravadas na Universal Studios, nos Estados Unidos. Pelo mesmo documentário fica-se sabendo que foram os próprios técnicos da Universal que fizeram a gravação de cenas do quarteto por lá.



- O documentário exibe imagens de filmes dos Trapalhões de 1973 a 1980. São eles:

# Robin Hood - O Trapalhão da Floresta (1973)

# O Trapalhão na Ilha do Tesouro (1974) - Escrito equivocadamente no plural ("Os Trapalhões...") no documentário.

# Simbad, o marujo Trapalhão (1975)

# O Trapalhão no Planalto dos Macacos (1976) - Também foi escrito equivocadamente no plural ("Os Trapalhões...") no documentário.

# O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977) - Também foi escrito equivocadamente no plural ("Os Trapalhões...") no documentário.

# Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (1978)

# Cinderelo Trapalhão (1979)

# O Rei e os Trapalhões (1979)

# Os três mosquiteiros Trapalhões (1980)

# O incrível monstro Trapalhão (1980)


- Duas imagens deste documentário foram usadas no início do filme Os Trapalhões no Rabo do Cometa (1986). As imagens são de Renato Aragão e Mussum chegando à TV Globo para gravar o programa Os Trapalhões.


- Curioso é que durante a gravação do programa Os Trapalhões era feita uma claque ao vivo. Para quem não sabe, a claque é quando um grupo de pessoas dá risadas de qualquer piada ou micagem a mando de alguém. O fato é muito comum em vários programas até hoje. O humorístico A Praça é Nossa (SBT), por exemplo, também possui claque.


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