Os Trapalhões e o Mágico de Oróz

 

OS TRAPALHÕES E O MÁGICO DE ORÓZ (1984)

    

Renato Aragão, Dedé Santana, Antonio Carlos "Mussum", Mauro Gonçalves "Zacarias".


 

Atuações especiais: Arnaud Rodrigues (como Soró) e José Dumont (como Tatu).


  

Participações especiais: Xuxa Meneghel (como Ana), Tony Tornado (como o "Carcará") e Dary Reis (como o Mágico de Oróz).

 

 

Participações especiais: Maurício do Valle (como o coronel Ferreira) e Dino Santana (como o beato do deserto).


Sinopse: Didi, Soró e Tatu decidem ir à cidade de Oróz (Ceará) em busca de melhores condições de vida. Durante o caminho, encontram um espantalho desmiolado e um homem de lata sem coração. Na cidade, metem-se em uma confusão e são presos. Para ficarem livres da prisão e das penalidades, o delegado Leão ordena que Didi, o espantalho e o homem de lata tragam água para a cidade. No caminho, os quatro encontram o Mágico de Oróz que os orienta na busca da água.

 

Ficha técnica:

- Direção: Dedé Santana e Vitor Lustosa.

- Produção: Renato Aragão Produções e DEMUZA Cinematográfica.

- Elenco: Renato Aragão, Dedé Santana, Antonio Carlos "Mussum", Mauro Gonçalves "Zacarias", José Dumont, Arnaud Rodrigues, Maurício do Valle, Jofre Soares, Tony Tornado, Dary Reis, Wilson Vianna, Roberto Guilherme, Dino Santana, Fernando José, Bia Seidl (Como Maria). Participação especial: Xuxa Meneghel.

- Argumento: Arnaud Rodrigues.

- Roteiro: Gilvan Pereira, Vitor Lustosa, Gracindo Junior, Renato Aragão e Dedé Santana.

- Montagem: Jayme Justo e Denise Fontoura.

- Edição de som: Hercília Cardillo

- Cenografia: Maria Helena Salles e Marco A. Rocha.

- Figurino: Carlinhos Rangel.

- Som direto: José Tavares

- Diretor de fotografia 2ª unidade e câmera: José Tadeu Ribeiro.

- Diretor de produção: Caique Martins Ferreira.

- Músicas: Arnaud Rodrigues.

- Música incidental: Caxa Aragão

- Diretor de fotografia e câmera: Antonio Gonçalves.

- Produtor executivo: Paulo Aragão.

- Diretor de arte: Renato Aragão.

- Duração: 93 min.

 

Público: 2 milhões e 457,2 mil espectadores*

(*Dados da Embrafilme S.A.).

Curiosidades:

- O filme é uma paródia do famoso conto O Mágico de Oz, escrito em 1901 pelo norte-americano Lyman Frank Baum.

A primeira adaptação para o cinema foi em 1939 com a atriz Judy Garland interpretando a garota Dorothy.

- Renato Aragão (Chamado de Didi no filme) faz o papel da garota Dorothy, enquanto Dedé é o leão covarde que busca a coragem, Mussum é o homem de lata que deseja ter um coração e Zacarias é o espantalho que deseja ter um cérebro.

- Primeiro filme após a reconciliação do quarteto que havia se separado em 1983.

- A produção do filme foi em conjunto com a Renato Aragão Produções (De Renato Aragaão) e com a DEMUZA Cinematográfica, fundada por Dedé, Mussum e Zacarias antes mesmo do quarteto se separar em 1983.

- A introdução da canção "Os carcarás", com Tony Tornado interpretando-a, foi amplamente utilizada nas chamadas de filmes dos Trapalhões na Sessão da Tarde, da TV Globo, dos anos 90.

- E por falar em músicas, o filme possui uma série de belas canções que foram lançadas na íntegra no LP Os Trapalhões e o Mágico de Oróz, de 1984. A autoria de todas elas é do falecido ator Arnaud Rodrigues. Veja abaixo um vídeo do filme com um pedaço da música "Conseguimos":

- Arnaud Rodrigues já havia interpretado o personagem Soró em outra produção: na telenovela Pão, Pão, Beijo, Beijo, TV Globo, em 1983. Caiu no gosto do público e voltou a interpretá-lo, agora nos Trapalhões.

- Esta é a primeira aparição de Xuxa em um filme dos Trapalhões.


BGM DA ABERTURA DO CHAPOLIN COLORADO

- Um detalhe curioso é que em dois momentos aparecem neste filme, por alguns segundos, uns sons de cornetas que também se fazem presentes na abertura do Chapolin Colorado, série mexicana que o SBT exibiu pela primeira vez em 1984. Interessante notar que a abertura do Chapolin contendo os sons dessas cornetas foi colocada no ar pelo SBT somente nos anos 1990, permanecendo até hoje.

Segundo os créditos do filme, a música incidental (Ou seja, a música de fundo - BGMs) foi composta por Caxa Aragão. Porém, esta BGM não é dele. Os efeitos sonoros da corneta se tratam de duas trilhas: Fanfare e Fanfare Horns. Ambas foram produzidas pela lendária empresa canadense Parry Music. Ao que tudo indica o SBT as juntou para fazer este trecho de abertura do super-herói mexicano no Brasil.

Assista abaixo os vídeos com os dois momentos onde os sons das cornetas podem ser ouvidos:



- Como não podia ser diferente, este filme dos Trapalhões também possui merchandisings. Confira:

Logo na abertura aparece um agradecimento aos patrocinadores: CALOI, PETROBRÁS e COCA-COLA.

Não é de se estranhar que essas marcas apareçam em vários momentos do filme.

1º) Uma placa com o nome Coca-Cola surge em dois momentos: Quando Didi, Soró e Tatu chegam à cidade de Oróz; e no Rio de Janeiro quando os Trapalhões estão sobrevoando a cidade em um osso voador.

2º) O merchandising da Caloi aparece na cidade do Rio de Janeiro com os Trapalhões e um grupo de bicicross andando e fazendo manobras com bicicletas da marca.

3º) E também na cidade do Rio de Janeiro, os Trapalhões chocam suas bicicletas em uma pilha de latas da Lubrax, uma linha de óleos lubrificantes da Petrobrás. Detalhe que esta cena se passa em um posto de gasolina da empresa.

4º) E quando Didi pede ajuda ao Mágico de Oróz para lhe dar força e um sapato novo, eis que surge um carro em forma de sapato da marca Olympikus. (Ver vídeo mais acima da música "Conseguimos").

5º) Um carro tem a marca da Firestone na porta.

- No osso voador, os Trapalhões sobrevoam cartões-postais da cidade do Rio de Janeiro: o estádio do Maracanã (Aqui com o aspecto que tinha quando foi construído para o Mundial de 1950), a ponte Rio-Niterói, e o Cristo Redentor.



- Quando Didi usa um enorme estilingue para caçar os urubus, nota-se que um boneco é que foi lançado e não o trapalhão.

- Nitidamente as cavernas do Mágico de Oróz foram feitas de celofane.

- O Espantalho (Zacarias) é chamado por Didi de passoura, uma mistura de palhaço com vassoura.

- Este longa foi gravado em parte nos estúdios da Renato Aragão Produções, que antigamente se localizavam na Barra da Tijuca. Trata-se de um feito inédito dos Trapalhões. A partir daqui, todos os outros filmes serão gravados nesses estúdios.


- O mágico menciona um tal "monstro de metal que jorra água pela boca". Quando chegam ao Rio de Janeiro, os Trapalhões pensam que uma enorme torneira usada pelas lavadeiras é o tal monstro. E mais: ingenuamente acham que levando apenas a torneira estarão levando a água também.

- Sejamos justos. O Mágico de Oróz fala uma verdade: "... e não é com reza, nem promessa, nem com um mágico charlatão, que vais fazer chover no sertão".

- A cena em que Didi bate o osso no chão e depois o joga para cima é uma paródia do início do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), do diretor Stanley Kubrick. Outra referência ao filme de Kubrick é a introdução da sinfonia Also sprach Zarathustra, que aparece também neste longa dos Trapalhões.

- No verso "Não queremos ter um compromisso...", cantado por Dedé na música Animais, percebe-se que a voz não é a do trapalhão.


- Os Trapalhões viajaram até a cidade do Rio de Janeiro em um osso voador. Só que em algumas partes percebe-se claramente que eles estão parados na porta de um helicóptero. A ventania nos cabelos deles não deixa dúvidas.

- O personagem beato do deserto (Dino Santana) é uma imitação de Antonio Conselheiro (1830-1897), líder messiânico do Arraial de Canudos.


- Parece que os personagens dos Trapalhões não eram tão ingênuos assim, principalmente no quesito mulheres. Quando eles cantam a música Retirada - aquela ao som de gaita e com o refrão "...yeah, yeah, yeah, yeah!" (Assista ao vídeo abaixo) - ouve-se nela alguns versos de duplo sentido como "Dizem que a cidade tem um morro/ E atrás tem outro monte/ Outro monte de mulher, yeah, yeah, yeah, yeah!" e "Dizem que o buraco alguém cavou/ E o minhocão entrou/ E se roda como quer, yeah, yeah, yeah, yeah!".

Fora, claro, as cenas em que os Trapalhões babam pelas mulheres de biquini fio dental. Aliás, parece que esse tipo de biquini era a última tendência da moda nas praias do Rio de Janeiro. E os vistos no filme são uma imitação. Isso porque as meninas apenas pegaram um biquini normal, enrolaram-no, e o enfiaram no meio do bumbum. O mesmo que muitas faziam no início, quando as indústrias ainda não fabricavam os modelos fio dental.



- Como era de se esperar, neste filme a problemática social da seca não é resolvida. Ela parece ser muito maior que os Trapalhões. Daí o motivo do roteiro terminar o filme com um paliativo: a chuva como um milagre vindo do desejo dos Trapalhões ("Vamos todos pensar firme/ Vamos todos pensar forte/ Vai cair um pingo d'água/ E mudar a nossa sorte"). Chega até a aparecer nesse momento uma imagem que sugere ser José caminhando e Maria sentada em um jumento tendo em seus braços o menino Jesus! E assim acaba o filme: com muita água; ao som de frevo; Dedé beijando Xuxa na boca; o coronel Ferreira olhando meio com deboche o povo de Oróz feliz, implicitamente dizendo para nós que aquela felicidade vai permanecer até quando durar a chuva; e um letreiro moralista assinado pelos Trapalhões na última cena, já congelada, dando um recado para as autoridades se mexerem e buscarem soluções para o problema social da seca.


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