O Cangaceiro Trapalhão

 

O CANGACEIRO TRAPALHÃO  (1983)

    

Renato Aragão, Dedé Santana, Antonio Carlos "Mussum", Mauro Gonçalves "Zacarias".


    

Regina Duarte (Aninha), Nelson Xavier (Capitão), José Dumont (Zé Bezerra) e Tânia Alves (Maria).


    

Daniele Cristina Rodrigues (Expedita), Danton Jardim (Rastejador), Doc Comparato (Médico) e Ariel Coelho (Sacristão).


 

Participações especiais: Bruna Lombardi e Tarcísio Meira.


  

Atuações especiais: Cininha de Paula (Mulher do médico), Lupe Gigliotti (Mulher do juiz) e Sonia Dias (Mulher do prefeito).

 

Sinopse: Um trem traz uma carga preciosa: uma misteriosa caixa vinda de Fortaleza. O cangaceiro capitão e seus comparsas resolvem roubá-la, porém a polícia está de olho neles. Durante a confusão na cidade, Severino do Quixadá salva a vida de capitão e, junto com Gavião - homem de confiança do cangaceiro -, Mussum e Zacarias, vai parar no esconderijo dos cangaceiros. Estando lá, o capitão convida Severino a ficar no bando e lhe dá uma missão: desmoralizar os chefes da cidade de Água Linda. Resolve trocar de lugar com ele ao perceber que ambos possuem uma grande semelhança física.

Ficha técnica:

- Direção: Daniel Filho.

- Produção: Renato Aragão Produções.

- Elenco: Renato Aragão, Dedé Santana, Antonio Carlos "Mussum", Mauro Gonçalves "Zacarias", Regina Duarte, José Dumont, Nelson Xavier, Tânia Alves, Daniele Cristina Rodrigues, Danton Jardim, Luthero Luiz, Doc Comparato, Cininha de Paula, Lupe Gigliotti, Ariel Coelho, Wellington Botelho, Sonia Dias, Alciro Cunha, Nonato Freire, Carmem Palhares, Radar, Mano Melo, Francisco Arruda e Carlos Kurt. Participações especiais: Bruna Lombardi, Tarcísio Meira e Gabriela Duarte.

- Argumento: Aguinaldo Silva e Doc Comparato.

- Diálogos: Chico Anísio.

- Montagem: Jayme Justo.

- Som: Juarez Dagoberto.

- Produção musical e arranjos: Guto Graça Mello.

- Figurino: Marília Carneiro.

- Direção de arte: Mário Monteiro.

- Direção de fotografia: Edgar Moura.

- Produtor executivo: Del.

- História original: Doc Comparato, Aguinaldo Silva, Renato Aragão e Daniel Filho.

- Roteiro: Daniel Filho e João Paulo de Carvalho.

- Direção de fotografia: José Tadeu Ribeiro.

- Direção de produção: Caique Martins Ferreira.

- Direção de 2ª unidade: Marcos Paulo.

- Assistente de direção: Liège Monteiro, Roberto Paduir e João Paulo de Carvalho.

- Continuidade: Rita Erthal.

- Maquiagem: Jaque Monteiro.

- Câmeras: Edgar Moura e Lula Araújo.

- Fotografia 2ª unidade: Nonato Estrela.

- Assistente de câmeras: Nonato Estrela, Jacques Cheuíche e Carlos Azambuja.

- Cenógrafos: Mário Monteiro, Katia Sabino e Mauro Monteiro.

- Montagem Seo. Água Linda: Marco Antonio Cury.

- Edição de som: Dominique Paris e Hello Lemos.

- Assistentes de monatagem: Kita Xavier e Silvia Alencar.

- Assistente de som: Zezé D'Alice.

- Trucagens: Ilimitada Ltda.

- Supervisão dos efeitos óticos e letreiro: Rudi Böhn.

- Efeitos sonoros: Geraldo José e Cristiano Maciel.

- Efeitos especiais: Daniel Filho, Sergio Farjalla, Aylton Mattedi e Hans Schwarzkopf.

- Equipe de produção: Paulo Aragão Neto, Caique Martins Ferreira, Vitor Lustosa, Zeca Letichevsky, Aniel Oliveira, José Oly Moreira (Produção de Fortaleza), Agenor Ferreira (Produção de Quixadá) e Paulo Henrique.

- Secretária executiva: Cléa Monte Alto.

- Secretária de produção: Luiza Bittencourt.

- Secretária executiva: Cléa Monte Alto.

- Assistentes de cenografia: Stoessel, Marco Antonio, João Coelho, João Thomaz, Nilton e Jorge Vargas.

- Assistentes de figurino: Mara Vieira e Carlinhos Rangel.

- Guarda-roupa: Natália Alves e Célia Menezes.

- Estagiário de continuidade: Denise Romita.

- Estagiário de câmera: Beto Nóbrega.

- Eletricistas: Valter Guimarães, Tião de Luna, Carlos Alberto e Hilmo.

- Maquinistas: Joaquim Tavares e Joaquim Azevedo.

- Contrarregra: Francisco Viera Nunes.

- Camareiro: Creuza Penélope.

- Transcrição sonora: Álamo e Rob Filmes.

- Mixagem: Nel-som.

- Técnico de mixagem: Roberto Leite.

- Interiores: Studio Magnus Filmes.

- Laboratório: Líder.

- Stunt-man: Caique Martins Ferreira, Manô, Zé Mauro, Celso Magno "Baiaco", Guarilha e Angela.

- Doubles: Rosa Maria e Denise Romita.

- Duração: 88 min.

 

Público: 3 milhões e 912,3 mil espectadores*

(*Dados da Embrafilme S.A.).

 

Curiosidades:


- Filme baseado no cangaceiro Lampião, apelido de Virgulino Ferreira da Silva. Seu bando, incluindo sua companheira Maria Bonita, foi exterminado em 1938 durante uma emboscada no interior do estado de Sergipe. Desde então, sai de cena o cangaceiro e fica a lenda Lampião. Livros e filmes foram lançados em seu nome. Mas esta produção dos Trapalhões não foi a primeira a tratar dele. Três cabras de Lampião, de 1962, foi o primeiro filme. O mais famoso foi Lampião, rei do cangaço (1964), do diretor Carlos Coimbra.

- Em 1982, a TV Globo exibiu a minissérie Lampião e Maria Bonita. Os atores Nelson Xavier e Tânia Alves interpretaram os cangaceiros. Os dois voltaram a atuar nos mesmos papéis no ano seguinte neste filme dos Trapalhões. Não se trata de coincidência, uma vez que este filme é baseado também nessa minissérie.

- A capa do DVD O Cangaceiro Trapalhão, lançado pela Europa Filmes, traz o nome da atriz Gabriela Duarte em letras garrafais dando a entender que ela tem enorme participação em várias cenas do filme. Porém, ela só aparece em apenas uma cena e não diz nada. Apenas balança a cabeça positivamente quando a mulher do juiz (Lupe Gigliotti) diz "Meninos! Parem de brincar embaixo da mesa". É tanto que o nome dela sequer foi colocado nos créditos iniciais e finais.

O Cangaceiro Trapalhão foi o primeiro trabalho como atriz de Gabriela Duarte - ou seja, ela iniciou como um extra! Foi também seu primeiro filme, pontapé inicial para sua carreira que inclui as telenovelas Top Model (TV Globo, 1989), como Olivia, a filha do surfista hippie Gaspar (Nuno Leal Maia), Irmãos Coragem (TV Globo, 1995) e Por Amor (TV Globo, 1997), nesta última atuando como Maria Eduarda, papel que lhe deu grande visibilidade nacional possibilitando mais outro na minissérie Chiquinha Gonzaga (TV Globo, 1999) interpretando a personagem-título. Também atuou na série A Vida como ela é (TV Globo, 1996), baseada nas obras do escritor Nelson Rodrigues (1912-1980), em que sua personagem, a novinha Alicinha, fica peladinha no episódio O Anjo.


- Renato Aragão interpreta Severino do Quixadá, um pacato criador de cabras. Dedé Santana é Gavião, um dos cangaceiros do bando de capitão (Nelson Xavier). Já Mussum e Zacarias têm neste filme o mesmo nome do programa de TV. Ambos interpretam presidiários que aproveitam para fugir da prisão quando os cangaceiros roubam o trem.

- Participação especial da atriz Daniele Cristina Rodrigues. Ficou famosa após atuar como a personagem Narizinho em O Sítio do Pica-Pau Amarelo de 1981 a 1982. Foi escolhida nacionalmente em 1980 através de um concurso feito pela TV Globo para substituir a atriz Rosana Garcia e o ator Júlio César (Pedrinho).

- As canções que se ouvem durante este longa-metragem são:

# Lampe-Lampião: De Naila Scorpio e Guto Graça Mello. Interpretada por Tânia Alves e os Trapalhões.

# Lagartixa: De Rita Lee e Roberto de Carvalho. Interpreta Renato Aragão com o refrão "Ei psit! O amor é o limite" quando está andando pelas paredes da casa de Secabrú.

# Cochabamba: De Naila Scorpio e Guto Graça Mello. Interpretada por Ney Matogrosso e os Trapalhões. Aparece durante os créditos finais.

Além delas, há também as músicas Invencível Trapalhão (Rita Lee e Roberto de Carvalho) e Meu capitão (Naila Scorpio e Guto Graça Mello). Todas elas foram lançadas pela Som Livre no LP O Cangaceiro Trapalhão (1983), produzido por Guto Graça Mello.


- Outros dois atores que não foram creditados no elenco do filme foram o falecido Carlos Kurt e o consagrado Tarcísio Meira. Assim como a atriz Gabriela Duarte, aparecem apenas em uma cena do filme e não dizem absolutamente nada. Carlos Kurt é do bando de Zé Bezerra (José Dumont). Já Tarcísio Meira faz o típico galã/princípe que surge em um cavalo branco para "roubar" Aninha (Regina Duarte), a paquera de Severino do Quixadá (Renato Aragão).


- Após trocar de lugar com o capitão, Severino do Quixadá vira um dos cangaceiros. Seu nome de cangaceiro - Lamparino - lembra Lampião.

- Participação especial de Bruna Lombardi atuando em três papéis diferentes: a bruxa-fada Secabrú, a protetora das águas do lago, e a mulher que se liberta do encanto.

- Para quem não sabe, Quixadá - que dá nome ao personagem Severino (Renato Aragão) - é uma cidade do interior do estado do Ceará. A cidade teve locações para a gravação do filme.

Uma delas é a Pedra da Galinha Choca, uma famosa atração turística que consiste em uma formação rochosa em formato de galinha. No final, a pedra "bota" enormes ovos de ouro para a alegria dos Trapalhões.


- "Os clowns não podem submeter-se a esse tipo de romance (feliz). (...) Seus finais são felizes para todos, menos para eles próprios", diz o cineasta britânico John Grierson sobre uma regra tradicional dos cômicos.

Aos Trapalhões, porém, tal regra não se aplica totalmente. Apesar dos personagens de Renato Aragão quase nunca terminarem com a mocinha, há em troca uma compensação com algum prêmio em dinheiro ou em metais preciosos - no caso aqui é em ovos de ouro. Algumas vezes os clowns de Renato Aragão terminam com outra garota do filme. Aqui, Severino do Quixadá finaliza o filme em uma rede abraçado com Bruna Lombardi, coisa inadmissível segunda a regra clássica dos clowns.



- Após este filme, os Trapalhões se separaram seriamente. O motivo: Dedé, Mussum e Zacarias acusavam Renato Aragão de sempre levar a maior parte da renda nos filmes e no programa de TV. Nesse intervalo Renato Aragão gravou um filme e seus ex-companheiros outro. Dedé, Mussum e Zacarias criaram, inclusive, uma produtora: a DEMUZA. O grupo só se reconciliou em 1984. O primeiro filme pós-retorno foi Os Trapalhões e o Mágico de Oróz (1984).

- Algo curioso e engraçado neste filme é a tal caixa. Dentro do trem ela é enorme, mas após cada tentativa de rompê-la, ela se torna menor (Haviam várias caixas uma dentro da outra), para desespero do capitão (Nelson Xavier). No fim das contas, o que havia mesmo em seu interior era uma pedra em formato de galinha (Miniatura da Pedra da Galinha Choca) e uma fitinha vermelha da sorte com os dizeres "PULE NA CABEÇA" (Severino pensava que estava escrito "Puio na cabaça"). É similar àquelas que muita gente no Nordeste amarra no pulso após fazer uma promessa. Diz-se que uma vez que essa fita se rompe, realiza-se a promessa. Os objetos, embora insignificantes, são essenciais para fazer a Pedra da Galinha Choca "botar" os enormes ovos de ouro.

- Quando a caixa é finalmente quebrada - acontece quando os Trapalhões estão brincando com o objeto e Mussum o arremessa para longe -, é possível ouvir o famoso som do plim-plim da TV Globo.

- Após o capitão trocar de lugar com Severino do Quixadá, o câmera faz um plano aberto e mostra a paisagem com diversas carnaúbas. A palmeira é considerada árvore-símbolo do estado do Ceará. Porém, está presente também em abundância nos estados do Piauí e do Maranhão.


- A festa de boas-vindas ao capitão - na realidade, é Severino do Quixadá - feita pelas principais lideranças da cidade de Água Linda (O prefeito, o sargento, o sacristão, o médico e o juiz) tem algo no mínimo estranho. Todas as pessoas negras estão vestidas como se fossem escravos! Parece que o fim da escravidão não havia chegado a Água Linda. Mesmo supondo que a história toda do filme passe, pelo menos, na segunda década do século XX, ainda é absurdo, pois se sabe que oficialmente o regime escravocrata no Brasil terminou em 1888.


- Há uma cena em que os enormes ovos de ouro não parecem ser tão enormes assim. Os vilões do filme, Zé Bezerra (José Dumont) e Rastejador (Danton Jardim), se cobrem de terra para espiar o bando do capitão (Nelson Xavier). Na sequência eles são esmagados pelos cavalos dos cangaceiros. Porém, este não é o final deles. Uma mão com luva negra surge debaixo da terra, uma bela cena que lembra muito uma de algum dos filmes da série Sexta-feira 13 da década de 1980. A imagem lembra também uma cena de Batman (1989), em que Jack Napier (Jack Nicholson) cai no tanque de ácido e, quando todos pensavam que estava morto, sua mão aparece anunciando o futuro Coringa.

Voltando ao filme dos Trapalhões: Zé Bezerra reaparece coberto de lama próximo à Pedra da Galinha Choca. Enquanto os ovos rolam montanha abaixo, um deles acerta o vilão, rachando-se ao meio e mostrando aos espectadores que até a substância do seu interior é dourada. Nesse momento vê-se que o ovo parece ser de um tamanho inferior aos demais.


- Este talvez seja o único filme dos Trapalhões que não possui merchandisings. Em longas posteriores do quarteto, há um certo exagero na exibição deles.

- O roteiro deste filme - escrito por Daniel Filho, renomado ator e diretor de telenovelas da TV Globo, e por João Paulo de Carvalho - não vê problema no cangaceiro capitão (Nelson Xavier) entrar na cidade e roubar do trem a caixa. Percebe-se que os roteiristas tentaram mostrar uma paródia de um Lampião mocinho. E uma pergunta sempre paira quando se trata do cangaceiro: foi Lampião mocinho ou bandido? Tal pergunta é recorrente até hoje quando se discute ou se produz qualquer coisa sobre ele.

- O comediante Chico Anísio já havia feito uma rápida atuação no documentário O mundo mágico dos Trapalhões (1981). Ele volta a participar em um longa do quarteto, só que dessa vez ele não atua. O humorista escreve os diálogos de O cangaceiro Trapalhão.

A FALSA PARÓDIA DO FILME CASABLANCA

- Uma sequência que aparece um pouco antes do final deste filme é uma falsa paródia do clássico Casablanca (1942), do diretor Michael Curtiz. A cena em questão é a de Severino pedindo a Aninha para ir com ele conhecer o mar. Neste exato momento, ouve-se sons de cavalo e o instrumental da música As time goes by (Composição de Herman Hupfeld em 1931. A canção é parte da trilha sonora de Casablanca). Tarcísio Meira surge para levar a mocinha. Severino, então, põe uma expressão séria e fala em tom grave aconselhando Aninha a ir com o cavaleiro. Mas a voz que se ouve não é a de Renato Aragão. A voz em questão foi retirada da primeira dublagem brasileira de Casablanca e pertence ao ator/dublador carioca Paulo Pereira (1935-2007) que emprestou sua voz ao protagonista Rick Blane (Interpretado por Humphrey Bogart). As palavras ditas a Aninha são as mesmas que o personagem Rick Blane diz a Ilsa (Interpretada pela sueca Ingrid Bergman):

"É melhor você ir. (...) Você devia ir pro lugar que perdeu. E sonhou. Para o sul com ele. (...) Escute! Se você não for vai se arrepender. Talvez não hoje. Talvez não amanhã, mas breve e pelo resto da sua vida".

A paródia continua. Aninha e o cavaleiro partem e Severino diz a Gavião (Dedé Santana): "Sabe Gavião, acho que este é o início de uma grande amizade", assim como Rick Blane disse a Louis Renault (Interpretado pelo ator britânico Claude Rains) em Casablanca.

Trata-se, portanto, de uma falsa paródia, pois em Casablanca, Ilsa diz que, mesmo indo no avião com o marido, nunca abandonará seu amor por Rick Blane. Neste longa dos Trapalhões as coisas se invertem. Aninha não pensa em abandonar o cavaleiro (Grosseiramente comparando, ele representa aqui o marido de Ilsa), pois é a ele que desde a metade do filme já prometera esperar, embora na cena dentro da casa andante de Secabrú tenha demonstrado algum ciúme por Severino.


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